Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Porto


Isso aqui andou pesado demais. Só percebi quando decidi reler os textos e vi que, depois dos ratos, veio um urubu.

Definitivamente, o meu blog não mede a minha vida. São só uns lampejos nada a ver, que não são nem a tradução de um fato, de uma realidade, mas de um pensamento momentâneo.

Porque, se for analisar bem, o mês de junho (quando eu postei ratos e um urubu) foi o mais interessante até agora. Aconteceu tanta coisa, mas tanta coisa...

Não vou descrever aqui porque esse blog, mais uma vez, é só a tradução de pensamentos. E este é um texto sobre acontecimentos. Se bem que os fatos todos me deixaram altamente pensativo. E feliz, mesmo.

Uma graninha, a primeira comemoração anual de muitas, umas viagenzinhas, uma porta aberta e algumas perspectivas desenhadas, quem não gosta? Por isso, a foto deste post é de um cachorro, o bicho mais legal que existe. Até a volta, no domingo. Ah, vou escrever o que eu escrevi na última vez. Deu muito certo naquela ocasião: "Muito pouca coisa a perder. Vai ser tudo bom demais."

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Conflito


Por que o jornalismo é a área de trabalho mais pressionada e controversa existente no universo:


1) Não há obrigação do diploma para o exercício profissional;


2) Não existe uma lei específica para regulá-lo, como a finada Lei de Imprensa;


3) Apregoam o tempo inteiro que a internet vai engolir o impresso;


4) Concentra o maior número de picaretas por metro quadrado;


5) As pessoas vão sempre reduzir o jornalista a um carniceiro;


6) A TV é o carro-chefe no imaginário das pessoas;


7) Pertence a um dono, o dono do veículo, mas o jornalista (o utópico, pelo menos) insiste em não pertencer a ninguém;


8) Todo mundo quer aparecer bem, e o jornalista costuma só querer mostrar o lado obscuro de todo mundo;


9) As pessoas não têm ideia de como é o trabalho jornalístico, inclusive o Gilmar Mendes;


10) Usa-se o próprio nome para citar os nomes dos outros;


11) Usar o próprio nome para citar os nomes dos outros significa ter problemas com a Justiça;


12) Não há trabalho jornalístico autônomo: sempre se dependerá do outro, da fonte;


13) A fogueira das vaidades arde sem parar;


14) A lei da gravidade atua sem perdão;


15) Não há uma categoria dos profissionais, pelo menos na prática;


16) Briga-se por espaço para escrever, enquanto qualquer trabalhador faz a opção pela lei do menor esforço;


17) Não há espaço para escrever;


18) Não há espaço para escrever o que quer;


19) Duvida-se de tudo, o tempo inteiro;


20) Duvida-se do que será sua vida nos próximos meses (nem anos são).

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Roliços


Os ratos chafurdam, são seres nojentos e têm muito medo. Adoram um saco, um lixo, um esgoto, e deles vivem. Os ratos são muito feios, ninguém os vê, ninguém os nota. Quando são vistos, só recebem o desprezo.
Gordos, desajeitados e escamosos, os ratos fedem. Um odor indisfarçável. Tão indisfarçável quanto a covardia, aí sim, a real identidade de um rato. Como os ratos sabem que seus ciclos de vida são curtos, passageiros! Duram quatro, oito anos, não mais do que isso. E voltam todos ao esgoto, pra chafurdar um pouco mais. Pra federem cada vez mais.
Os mais espertos tentarão se disfarçar de gato, de um palácio, mas continuarão recebendo o desprezo. Ou porque rei morto, rei posto, ou porque ratos não são dignos de crédito, ora essa! Eles são ratos, e o que mais podem fazer, senão algo muito desprezível?
Aos ratos, o que lhes é de direito, conquistado a duras escamas. A urbe é de vocês, toda ela, imensa. Só não emitam mais aquele ruído estridente, tão incômodo, quando estiverem próximos. É o único pedido.

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

A gente não tem


Eu acho que a gente não tem a tecnologia que a gente acha que tem. Dois fatos nesta semana me fizeram ter certeza disso. Um, esse acidente aéreo terrível, essa coisa indescritível, inimaginável. O outro, no trabalho.
Estamos todos reféns da tecnologia que a gente acha que tem e não tem. Toda a criatividade, os impulsos, as vontades, os desejos, o esforço e o exercício intelectual (no sentido de ter e concretizar ideias e conceitos) dependem da tecnologia tida e não existente. E são determinados porque achamos que temos, e não temos.
Somos reduzidos a nada, quando dizem que se tem tudo às portas de 2010. Não temos nada, não somos nada, só uma vontade vulnerável a uma tecnologia acumulada em... nada. E, mesmo assim, nos fizeram mudar o comportamento, as atitudes, a forma de trabalhar, de desejar. Porque estaríamos bem servidos de tecnologia.
Somos uns mortos de fome, com o estômago vazio e uma infinidade de ideias e vontades na cabeça. A mente cheia e o estômago vazio, cheio de frios e embrulhado. Somos os inteligentes seres mal humorados, sem saco para nada e atônitos diante do fantástico, que bem poderia ser o realismo fantástico.
Tem hora que eu não acredito nas coisas que estou presenciando, pequenas ou grandes. Às vezes me sinto descolado, sei lá, é estranho. Tem hora que eu custo a acreditar nos rumos de certas coisas. E que não há nada a fazer porque – por que é assim? – o tempo está correndo e atropelando as horas e os anos. E eu, ao mesmo tempo, descolado e afundado num monte de coisas ao mesmo tempo.
Tecnologia otária, essa nossa. Mas digna da gente.

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

...


Sábado, 16 de Maio de 2009

Mentirinha


O fingimento neste Estado é nojento. Isto aqui é de um subdesenvolvimento escancarado, quando são analisados indicadores sociais e políticas de governo. Goiás é a margem e tem o governo que merece, incapaz de formular planos, executar ações e exercer a função keynesiana esperada, principalmente em momento de crise econômica e de crise absoluta de confiança nas instituições.
Três exemplos pontuais e distintos:
1) A região do Araguaia tem um índice de 8% de coleta de esgoto. Oito por cento! E apenas metade do que é coletado recebe tratamento. Inexiste por completo uma política ambiental em Goiás, que defina, por exemplo, restrições à entrada da cana, regras para preservação e recuperação do Cerrado e um planejamento estratégico para a pobre região da bacia Tocantins-Araguaia no Estado;
2) Destruíram a Celg, a maior empresa de Goiás. Arrogantemente, foram adotadas medidas risíveis. O que ocorreu ali foi um saque, com uma roupagem diferente de quando tomba um caminhão na rodovia e as pessoas levam para casa o que conseguem. Saquearam o caminhão em movimento. Levaram tudo que conseguiram;
3) É tudo de mentira a política de cumprimento de medidas socioeducativas por adolescentes infratores no Estado. Tudo de mentira: os centros de internação, as medidas em meio aberto, os serviços comunitários. Não acredite em nada.

Sábado, 9 de Maio de 2009

Orelha


Eu queria passar mais uma semana na chapada. Porque lá eu só ouvia e fazia o que é agradável. Lá eu dormia e acordava sem sentir frio. Pelo contrário.
Na chapada eu não precisava ficar me esforçando para entender a razão para tanto mau humor. Pra caras amarradas. Pra frases milimetricamente calculadas. Ou pra bizarrices que, confessemos, nem num zoológico se encontra.
Na chapada era tudo muito simples. Sem mistérios. Dormir muito, comer um macarrão, acordar cedo, tomar um café da manhã caprichado e caminhar por um dos lugares mais belos deste País. Tomar um banho de água gelada e limpa, saltar da pedra alta, ficar quieto e observando. E isso tudo em grande companhia.
Simples demais, uma simplicidade comida pelo concreto 450 quilômetros adiante. Não só pelo concreto, mas pela dissimulação, pela incapacidade de aceitação. Por um vazio e uma eloquência que nem um especialista em contradições compreenderia.
O conforto está na perspectiva, na fé nas coisas e nas pessoas. E na possibilidade de, sempre, tomar essas pílulas de felicidade. Por aqui, fica valendo o bom mocismo.